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SBOC cria Comitê de Lideranças Femininas Destaque

Notícias Quinta, 18 Fevereiro 2021 17:42
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Maioria na Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), sendo 52% dos associados, as mulheres têm grande atuação na medicina como um todo e no cuidado oncológico em especial, mas ainda enfrentam barreiras para ocupar posições de gestão e comando. Para contribuir com a superação desses entraves, a SBOC acaba de formar seu Comitê de Lideranças Femininas.

Entre as primeiras ações do novo comitê está um mapeamento da atuação feminina na oncologia clínica em todo o território nacional, a começar por uma pesquisa inédita enviada por e-mail para todos os associados sobre equidade de gênero no exercício profissional. “A partir dos dados coletados e de outros esforços para a ampliação do conhecimento sobre os lugares ocupados pelas oncologistas, uma série de ações será planejada para tornar cada vez menos desigual a oncologia clínica e a medicina como um todo”, conta a presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, coordenadora do comitê. Além dela, apenas mais uma mulher presidiu a entidade: Dra. Lucilda Cerqueira de Lima (1997-2001).

O Comitê de Lideranças Femininas terá como membros todas as diretoras mulheres da atual gestão, Dra. Ana Gelatti, Dra. Angélica Nogueira, Dra. Daniela Dornelles Rosa, Dra. Maria de Fátima Gaui e Dra. Maria Ignez Braghiroli, bem como as oncologistas associadas à SBOC que compõe os grupos UMMAS - Mulheres Contra o Câncer e Mulheres na Oncologia, com o mesmo foco do comitê: Dra. Daniele Assad, Dra. Eldsamira Mascarenhas, Dra. Fernanda Cesar Moura, Dra. Karime Kalil e Dra. Renata Cangussu.

De acordo com a pesquisa Demografia Médica no Brasil 2018, organizada pelo sanitarista Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), a participação feminina na medicina ainda é levemente minoritária, mas em crescimento.

Quando se observa a série histórica da população de médicos segundo sexo, as mulheres representavam 22,3% e 21,5%, respectivamente em 1910 e 1920. Nos anos seguintes, este percentual oscilou para menos, chegando a 13%, em 1960. No entanto, a partir de 1970 essa proporção tem crescido de modo constante, subindo para 23,5%, em 1980; 30,8%, em 1990; 35,8% em 2000; e 39,9%, em 2010. Agora, elas são 45,6%, e o sexo feminino já predomina entre os médicos mais jovens, sendo 57,4%, no grupo até 29 anos, e 53,7%, na faixa entre 30 e 34 anos.

Publicado originalmente em 1849, no NEJM, o artigo Women in Medicine, de Richard Cabot, segue atual ao apontar que as dificuldades enfrentadas pelas mulheres não são tão grandes até a graduação básica em Medicina, mas sim após a formação, quando os obstáculos sutis impostos a elas se tornam extremamente fortes.

Para Dra. Angélica Nogueira, diretora da SBOC, o desafio está na representatividade. “As mulheres desempenham papeis importantes no exercício profissional da medicina e no fazer científico, mas não se veem representadas nas lideranças de suas áreas”, comenta. “A SBOC dá um passo importante para equacionar essa problemática ao ter uma presidente mulher e criar seu Comitê de Lideranças Femininas, mas ainda há muito trabalho a ser feito para que a liderança das mulheres que estão à frente da maior entidade representativa da oncologia clínica brasileira não seja exceção”, acrescenta.

Entre as iniciativas planejadas pelo comitê estão:

• Levantamentos da quantidade de oncologistas mulheres no país e daquelas que lideram unidades de oncologia;
• Delineamento de ações a partir dos resultados encontrados; e
• Publicação de artigos científicos sobre a problemática.

Os dados também serão apresentados na III Semana Brasileira da Oncologia, de 17 a 20 de novembro, em Salvador (BA).

Última modificação em Quinta, 18 Fevereiro 2021 19:25

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