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Equipe Grano

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Por Tatiane Correia Rios

 

Uma pergunta frequente durante a consulta nutricional após conclusão do tratamento oncológico é: “Quais são os cuidados com a alimentação para evitar a recidiva?”.

Pacientes na fase de diagnóstico e tratamento do câncer ficam estressados devido a problemas físicos, mentais, profissionais e sociais.  Os sobreviventes do câncer, por outro lado, estão mais provavelmente preocupados com o risco de recorrência e mortalidade do câncer1.

Segundo a Sociedade Americana de Câncer (ACS), 2022, nos últimos 30 anos, o número de sobrevivência do câncer cresceu nos Estados Unidos4. Em janeiro de 2019 aumentou em 16,9 milhões de sobreviventes de câncer no país e este número continua a aumentar devido a vários fatores4.

Diversos autores descrevem algumas características comuns como excesso de peso, inadequação da dieta, tanto em qualidade como em quantidade, e inatividade física especialmente em sobreviventes de câncer de mama, próstata, colo de útero e cólon2,3. Esses dados reforçam a importância da orientação contínua sobre os cuidados não só durante o tratamento do câncer, mas também nos pós com objetivo de promoção à saúde.

As condutas nutricionais podem ser individualizadas levando em consideração os sintomas pós-tratamento, o estado nutricional e as particularidades socioculturais de cada paciente, visto que o papel da nutrição busca não só a prevenção da recidiva, mas também a reabilitação e uma melhor qualidade de vida dos sobreviventes do câncer5,6.

Em 2022 a ACS publicou um guideline baseado em revisões sistemáticas de alta qualidade e de meta-análises de pesquisadores reconhecidos reforçando e unificando as seguintes recomendações4:

  • Rastreio contínuo em paciente com risco de desnutrição;
  • Acompanhamento individualizado e regular com equipe multidisciplinar para pacientes em risco de desnutrição;
  • Identificação e gerenciamento dos sintomas que impactam negativamente a ingestão alimentar de sobreviventes;
  • Suplementação nutricional quando a ingestão oral não for suficiente para atender o gasto energético diário,
  • Terapia nutricional enteral por sonda quando a alimentação oral mesmo com suplementação não for suficiente para ofertar os nutrientes necessários e a terapia parenteral quando a enteral for contraindicada.

A ACS em seu relatório de 2022 reforçou também as recomendações publicadas para sobreviventes pela Rede Nacional Abrangente do Câncer (NCCN) e a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) que são4:

  • Orientar um padrão de dieta saudável, com quantidades adequadas de macro e micronutrientes e fontes alimentares de origem animal e vegetal, mas preferencialmente com padrões vegetais;
  • Atentar ao uso excessivo e indevido de suplementos alimentares;
  • Instruir técnicas de segurança alimentar com intuito de prevenir doenças transmitidas via alimentação.
  • Estimular que os sobreviventes sejam tão fisicamente ativos quanto possível.

Há evidências de que a prática regular de atividade física, consumir alimentos que reflitam um padrão alimentar saudável (rico em alimentos vegetais, frutas inteiras, grãos integrais e feijões, mas limitados ou não incluindo álcool, carne processada, bebidas açucaradas, alimentos altamente processados e produtos de grãos refinados) e evitar a obesidade após a conclusão do tratamento do câncer melhora sobrevivência a longo prazo4,5,6.

Uma grande preocupação é a fonte de informação dos pacientes sobre nutrição, estudo italiano com sobreviventes de câncer de mama (n= 684) verificou que pesquisa na internet era a fonte mais comum de informações usadas pelas pacientes para buscar orientações sobre as escolhas alimentares após o diagnóstico7. Segundo estudo de Ford et al.9 (2022), o conhecimento e a informação nutricional são os principais determinantes das escolhas alimentares e ingestão geral de nutrientes.

Por isso, é importante que o profissional de saúde conheça as melhores evidências, mas também que ele saiba identificar as barreiras às mudanças alimentares. Na prática, existem estratégias nutricionais diferentes para se trabalhar com sobreviventes de câncer, podendo ser através da intervenção personalizada para as necessidades individuais de cada paciente ou através de programas educativos em grupo8,9.

Em conclusão, existem recomendações nutricionais relevantes sobre o papel da nutrição para sobreviventes de câncer e os profissionais de saúde apresentam grandes desafios: promover mais pesquisas com recomendações nutricionais baseadas em evidências, intensificar as formas de divulgação destas informações para a população e estimular os pacientes seguirem estas estratégias nutricionais.

 

Referências

1-    Pudkasam S, Polman R, Pitcher M, Fisher M, Chinlumprasert N, Stojanovska L, Apostolopoulos V. Physical activity and breast cancer survivors: Importance of adherence, motivational interviewing and psychological health. Maturitas. 2018; 116:66-72.

2-    Mazzutti FS, Custódio IDD, Lima MTM, Carvalho KPd, Pereira TSS, Molina MdCB, Canto PPL, Paiva CE, Maia YCdP. Breast Cancer Survivors Undergoing Endocrine Therapy Have a Worrying Risk Factor Profile for Cardiovascular Diseases. Nutrients. 2021; 13:1114.

3-    DO Mann S, DO Sidhu M, DO Gowin K. Understanding the Mechanisms of Diet and Outcomes in Colon, Prostate, and Breast Cancer; Malignant Gliomas; and Cancer Patients on Immunotherapy. Nutrients. 2020; 12: 2226.

4-    Rock CL, Thomson CA, Sullivan KR, Howe CL, Kushi LH, Caan BJ, Neuhouser ML, Bandera EV, Wang Y, Robien K, Basen-Engquist KM, Brown JC, Courneya KS, Crane TE, Garcia DO, Grant BL, Hamilton KK, Hartman SJ, Kenfield SA, Martinez ME, Meyerhardt JA, Nekhlyudov L, Overholser L, Patel AV, Pinto BM, Platek ME, Rees-Punia E, Spees CK, Gapstur SM, McCullough ML. American Cancer Society nutrition and physical activity guideline for cancer survivors. CA Cancer J Clin. 2022; 72(3):230-262.

5-    Klekowski J, Chabowski M. Nutritional Strategy for Cancer—From Prevention to Aftercare. Nutrients. 2024; 16:1437.

6-    Benetou V. Nutrition for Cancer Survivors. Nutrients. 2022; 14: 4093.

7-    Caprara G, Tieri M, Fabi A, Guarneri V, Falci C, Dieci MV, et al. Results of the ECHO (Eating habits CHanges in Oncologic patients) survey: an Italian crosssectional multicentric study to explore dietary changes and dietary supplement use, in breast cancer survivors. Front Oncol. 2021; 11:705927.

8-    Keaver L, Huggins MD, Chonaill DN, O'Callaghan N. Online nutrition information for cancer survivors. J Hum Nutr Diet. 2023; 36: 415–433.

9-    Ford KL, Orsso CE, Kiss N, Johnson SB, Purcell SA, Gagnon A, Laviano A, Prado CM. Dietary choices after a cancer diagnosis: A narrative review. Nutrition. 2022;103-104:111838.

Por Cristiane DÁlmeida, Olivia Galvão De Podestá e Thais Manfrinato Miola

 

O acompanhamento nutricional durante o tratamento do câncer é fundamental para contribuir com a melhor tolerância ao tratamento, redução das interrupções e melhor qualidade de vida do paciente. Um dos motivos que faz o paciente com câncer perder peso durante o tratamento são os sintomas de impacto nutricional, que reduzem a ingestão alimentar. O cuidado nutricional pode auxiliar a melhorar o consumo de alimentos mesmo na presença destes sintomas, através das estratégias alimentares e receitas diferentes e enriquecidas dentro dos hábitos e padrões alimentares do paciente, que podem ser incorporadas durante este período1-5.

Estratégias alimentares para os sintomas de impacto nutricional apresentados durante o tratamento oncológico1,2,4:

Inapetência e anorexia: aumente o fracionamento das refeições, comendo pequenas porções ao longo do dia; enriqueça as preparações, colocando azeite e queijo ralado em sopas, mel nas frutas e iogurtes, por exemplo.

Náuseas: aumente o fracionamento das refeições, comendo pequenas porções ao longo do dia; evite ficar muito tempo em jejum; evite alimentos gordurosos e açucarados; prefira alimentos frescos e frios; o limão e gengibre ajudam nas náuseas, podendo consumir como picolé de limão e chá gengibre.

Xerostomia: se não apresentar as feridas na boca, utilize alimentos ácidos para estimular a salivação; prefira preparações com caldos e molhos; aumente a hidratação; chupar gelo feito de água, água de coco, sucos e chás ajudam a umidificar a boca.

Mucosite: prefira alimentos macios, como bisnaga e purês, em temperatura ambiente ou morna; evite alimentos secos e duros, extremos de temperatura, condimentos fortes e alimentos ácidos.

Alteração do paladar: acentue o sabor dos alimentos com ervas e especiarias; se não apresentar as feridas na boca, utilize alimentos ácidos para estimular a salivação; enxague a boca antes das refeições; se sentir gosto metálico acentuado, evite talhares de metal.

Obstipação: aumente a hidratação; faça atividade física, se possível e liberado pelo seu médico; aumente o consumo de fibras que ajudam no funcionamento do intestino, como fibras presentes nas verduras (folhas) e nas cascas de frutas e legumes; acrescente cereais e grãos integrais, como aveia, linhaça e chia.

Diarreia: aumente a hidratação; evite grãos e cereais integrais; prefira fibras que ajudam a “prender” o intestino, como mandioca, batata, pera, melão.

Disfagia: alterar a consistência da dieta conforme o grau da disfagia e aumentara oferta calórica e proteica das refeições com técnicas dietéticas e suplementação oral. Acompanhamento juntamente da fonoaudióloga. Evitar alimentos secos e duros, preferir alimentos umedecidos e macios. Durante a alimentação manter a cabeceira elevada durante a alimentação. Discutir a possibilidade de uma via alternativa de alimentação se, disfagia grave, como uma sonda nasoentérica.

Odinofagia: alterar a consistência da dieta, de acordo com a aceitação do paciente, aumentando a oferta calórica e proteica das refeições através da técnica dietética e indicar suplementação oral. Evitar alimentos secos, duros, cítricos, picantes e condimentados, e os extremos de temperatura.

 

Referências Bibliográficas

  1. BRASPEN. Diretriz Braspen De Terapia Nutricional No Paciente Com Câncer. Braspen Journal, v. 34, Supl3, p. 2–32, 2019.
  2. INCA. MINISTÉRIO DA SAÚDE Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Consenso Nacional de Nutrição Oncológica. Rio de Janeiro. 2016.
  3. Miola TM, Matayoshi MAV, Cunha AF. Terapia nutricional na quimioterapia e radioterapia. In: Miola TM, Pires FRO. Nutrição em Oncologia. São Paulo: Manole, 2020. 119-134p.
  4. ESMO. ESMO HANDBOOK OF NUTRITION AND CANCER. European Society for Medical Oncology. 2ed. 2023. 164p.
  5. Mathias C, Chaves ALF. Guia de Nutrição para o Oncologista. Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, 2021.

 

 

O risco de câncer e a maior prevalência de determinados tumores em grupos específicos podem estar relacionados não apenas a características físicas e biológicas, mas também a comportamentos e condições sociais, algo frequentemente observado na população LGBTQIAPN+. 

Em entrevista ao UOL, Dr. Ricardo Sant´Ana fala sobre a ausência de políticas públicas direcionadas a essa população, além de discutir métodos preventivos e o acesso aos serviços de saúde.

Veja a reportagem no UOL

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) promove, até 09 de dezembro, a Consulta Pública (CP) Nº 75.

Os documentos avaliados são:

Diretrizes Brasileiras

Indicação: para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero: Parte I - Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico 

Planejamento e tema do SBOC 2024

Entrevistas Quinta, 14 Novembro 2024 18:01

Presidente da Comissão Científica do evento, Dra. Aknar Calabrich, explica sobre o planejamento e a escolha do tema do XXV Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica.

Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Dra. Anelisa Coutinho, comenta sobre a organização e os desafios de um evento como o XXV Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) promove, até 24 de setembro, a Consulta Pública (CP) Nº 143, recebendo contribuições para as recomendações preliminares relacionadas às propostas de atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde.

A tecnologia avaliada em oncologia é:

Enzalutamida em combinação com leuprorrelina

Indicação: tratamento de câncer de próstata hormônio-sensível não-metastático em recorrência bioquímica de alto risco 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) promove, até 27 de novembro, a Consulta Pública (CP) Nº 143, recebendo contribuições para as recomendações preliminares relacionadas às propostas de atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde.

A tecnologia avaliada em oncologia é:

Enzalutamida em monoterapia

Indicação: tratamento de câncer de próstata hormônio-sensível não-metastático em recorrência bioquímica de alto risco

Abertura do Congresso SBOC 2024

Notícias Quarta, 13 Novembro 2024 12:21
 

A sessão de abertura do XXV Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica aconteceu em 7 de novembro, com depoimentos da presidente da SBOC, Dra. Anelisa Coutinho, da presidente da Comissão Científica do evento, Dra. Aknar Calabrich, e da diretora-executiva a SBOC, Dra. Marisa Madi. Confira a gravação:

Foram três dias repletos de discussões científicas, joint sessions, debate sobre gestão e organização dos sistemas de saúde, atividades para jovens oncologistas, homenagens e celebrações. Confira novas imagens do Congresso SBOC 2024:

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