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Brasileiros apresentam dados sobre câncer de mama metastático no ASCO 2017

Notícias Segunda, 05 Junho 2017 17:26

O Dr. Carlos Henrique dos Anjos, médico do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês – Unidade Brasília e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), acompanhou a apresentação oral dos trabalhos de câncer de mama metastático no Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017). Ele destaca a participação dos dois brasileiros que estiveram no púlpito: a Dra. Ingrid Mayer, discutindo os artigos sobre inibição da via do CDK4 e CDK6, e o Dr. Carlos Barros, com as atualizações do estudo Marianne.

Para os pacientes com receptor hormonal positivo e HER2 negativo, foram apresentados três estudos demonstrando o papel da inibição da via do CDK4 e CDK6. O estudo Monarch 2 randomizou pacientes com progressão prévia a uma linha hormonal ou que recidivaram após adjuvância para fulvestranto mais placebo versus fulvestranto mais abemaciclibe, semelhante ao estudo Paloma 3. Assim como nos estudos de palbo e ribociclibe, houve benefício de sobrevida livre de progressão de 16 meses versus 9 meses a favor do grupo experimental.

Já os dados de sobrevida do Paloma 1, estudo fase II open label em primeira linha, de letrozol mais palbociclibe versus letrozol monodroga não demonstraram benefício de sobrevida global – mas se trata de estudo fase II com número de pacientes relativamente pequeno no qual a influência de linhas subsequentes deve impactar de maneira significativa a sobrevida global.

Na doença HER2 hiperexpressa, o Dr. Barros demonstrou a atualização em termos de sobrevida global dos dados do estudo Marianne. Nesse estudo, pacientes HER2 hiperexpressas foram randomizadas em primeira linha para três braços: TH taxano com trastuzumabe versus TDM1 versus TDM1 combinado com pertuzumabe. O estudo mostrou a não inferioridade, em termos de sobrevida global, para os braços contendo TDM1 versus o braço controle de TH. Mas não foi capaz de demonstrar a superioridade dos braços contendo TDM1 versus TH. A sobrevida global dos três braços foi em torno de 52 meses. Destaque para a menor toxicidade dos braços TDM1 versus TH.

No entanto, diante dos dados do estudo Cleópatra, a sequência padrão do tratamento para doença HER2 hiperexpressa metastática continua sendo taxano mais duplo bloqueio pertuzumabe e trastuzumabe em primeira linha, seguidos de TDM1 na progressão.

Ainda no grupo HER2 hiperexpresso, mais um dado reforça a importância do duplo bloqueio HER2. O estudo Alternative randomizou pacientes para três braços livres de quimioterapia: inibidor de aromatase mais trastuzumabe mais lapatinibe; inibidor de aromatase combinado a tratuzumabe (padrão) e inibidor de aromatase combinado a lapatinibe.

Com 355 pacientes randomizados e 139 eventos, o braço de duplo bloqueio demonstrou benefício em sobrevida livre de progressão quando comparado ao braço padrão: mediana de 11 meses versus 5,7 meses. Tendo como principais toxicidades diarreia, rash (manchas vermelhas na pele) e náusea, a combinação de inibidor de aromatase mais trastuzumabe mais lapatinibe pode ser um esquema interessante, sobretudo para pacientes não candidatas ao uso de quimioterapia.

Inibidores de PARP e inibidores da via do PD1

Nas pacientes triplo-negativas, foram apresentados novos dados em relação a inibidores de PARP e inibidores da via do PD1. O Dr. Nicholas Turner apresentou dados do uso de talazoparibe, potente inibidor de PARP, em pacientes com mutações germinativas de BRCA1 e BRCA2 com duas coortes diferentes, uma delas com pacientes com uso prévio de platina e outra sem uso prévio de platina, demonstrou taxas de resposta de 21% e 37%, respectivamente. Ressalta-se que, na coorte sem uso prévio de platina, as pacientes haviam recebido pelo menos três linhas de tratamento, demonstrando a importância da inibição da PARP nessas pacientes.

Já o estudo Keynote 086, estudo de fase II braço único, avaliou o papel do uso de pembrolizumabe, inibidor de PD1 em pacientes com doença triplo-negativa após ao menos uma linha de quimioterapia prévia. Diferentemente do estudo Keynote 012, da qual fazia parte dos critérios de inclusão ter hiperexpressão de PD-L1, no estudo Keynote 086 as pacientes poderiam ser incluídas independentemente da expressão de PD-L1, mas era critério de inclusão ter material para testagem dessa expressão.

A positividade de PD-L1 em ao menos 1% das células foi de 60%. A taxa de resposta foi modesta: em torno 5%, independentemente da expressão de PD-L1. Chama a atenção a sobrevida prolongada das poucas pacientes que responderam. Os dados desse estudo estão em concordância com os dados de atezolizumabe apresentados no Congresso da American Association for Cancer Research (AACR) deste ano.

Mais novidades da ASCO 2017

O Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017) acontece de 2 a 6 de junho, em Chicago (EUA). Acompanhe as novidades aqui no site da SBOC.

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