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Pesquisa aponta estigma contra pacientes com câncer de pulmão

Notícias Segunda, 04 Dezembro 2017 15:02
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Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, e a paciente Iane Cardim Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, e a paciente Iane Cardim Diego Freire/Oncoguia

Levantamento da Global Lung Cancer Coalition (GLCC) mostra que 21% dos entrevistados de 25 países afirmam ter menos simpatia por indivíduos com câncer de pulmão do que em relação a pacientes com outras neoplasias. O estigma refere-se à associação da doença ao tabagismo. No Brasil, o percentual é acima da média mundial: 29%. Desde 2010, quando havia sido realizada a última pesquisa, houve crescimento de um ponto percentual. De acordo com os pesquisadores, o preconceito tem impacto muito negativo nas pessoas que vivem com câncer de pulmão e em seus familiares, além de gerar desinformação. Para Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, parceiro do GLCC no Brasil, as pessoas que fumaram podem se sentir culpadas e demorar a falar com seu médico sobre possíveis sintomas. Ela lembra também que 15% a 20% dos pacientes com câncer de pulmão nunca fumaram.

A pesquisa aponta ainda que homens têm menos simpatia que as mulheres e que a faixa etária que mais julga negativamente esses pacientes vai de 35 a 44 anos. Foram ouvidas pelo menos mil pessoas em cada país entre julho e agosto deste ano. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, os tumores malignos de pulmão são os que causam mais mortes no Brasil. Sua incidência é de 28,2 mil novos casos anualmente. “Precisamos nos aliar aos esforços globais para combater esse estigma, que é terrível”, afirma a Dra. Clarissa Mathias, secretária geral da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e representante da América Latina na diretoria da International Association for the Study of Lung Cancer (IASLC). “O fumante tem um vício provocado por uma adição no cérebro. A nicotina foi engendrada para isso. Precisamos não apontar dedos, mas dar as mãos”, ressalta.

Desinformação e diagnóstico tardio

Outro dado preocupante do levantamento da GLCC é que metade dos brasileiros sequer consegue citar um sintoma do câncer de pulmão. Globalmente, o índice é de 42%. Entre os brasileiros que conseguem nomear um sintoma, os mais citados são falta de ar (34%), tosse (30%) e dor torácica (16%). “A pesquisa mostra a importância de levar ao público informação adequada. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior é a chance de um tratamento bem-sucedido”, afirma Luciana, do Oncoguia.

Os dados foram apresentados durante um fórum temático promovido pelo Instituto em São Paulo, no dia 27. A advogada Iane Cardim, de 48 anos, fumante desde os 18, veio da Bahia especialmente para contar sua história. Ela levou seis meses desde o aparecimento do primeiro sintoma – tosse persistente – até o diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão. Nesse período, passou por sete médicos de consultórios diferentes, entre otorrinolaringologistas, pneumologistas e alergologistas, fez uma série de exames e só via seu estado de saúde se agravar até ser internada na UTI. Somente depois de uma primeira consulta no Núcleo de Oncologia da Bahia, Iane teve o diagnóstico de câncer e iniciou a quimioterapia em 20 dias.  

Hoje, quase dois anos após o início do tratamento, a advogada convive com a doença, fazendo aplicação de imunoterapia a cada 15 dias custeada pelo plano de saúde. “Quando me perguntam se sou ex-fumante, digo que deixei de fumar, mas ainda me considero uma fumante porque sonho com o cigarro. É um vício, tal qual o álcool para o alcoolista. Vivo um dia de cada vez sem ele”, explica.

 

Confira um resumo da pesquisa da GLCC no Brasil 

Acesse os dados do levantamento em 25 países  

Última modificação em Terça, 05 Dezembro 2017 14:13

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